Ginga,
jogo de cintura, manha e concentração na política baiana têm a mesma pegada que
a tradicional capoeira, seja de angola ou regional. Fato é que nessa mistura as
últimas eleições municipais na Bahia revelam um cardápio de sabores
tradicionais e de muita disputa. Assim, o recado das urnas coloca o eleitor
como um exímio jogador de capoeira e de paladar apurado na hora de servir o
vatapá, quitute oriundo da cultura africana. Interpretar quem ganhou ou perdeu,
vai depender do golpe de vista ou da posição do capoeirista. Os números dizem
muita coisa. E o que se pode especular, por enquanto, é que a hegemonia do PT
ou o renascimento carlista serão os temas dominantes até 2014.
Não é à
toa que muitos analistas políticos comentam que os resultados de Salvador
e Feira de Santana devem render muito pano pra manga até a próxima corrida
eleitoral. No tabuleiro bem estruturado das forças políticas o que se desenha é
um confronto acirrado entre governo e oposição, ou seja, a inevitável
polarização entre PT e DEM.
De um
lado, o governador Jaques Wagner vai defender a tese de conquista da maioria
das prefeituras, ao todo foram 327 cidades entre PT e base aliada. Somem-se o alinhamento
com o projeto da presidente Dilma Rousseff e a nova Bahia de projetos
estruturantes como a ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul, em Ilhéus. Na cozinha
do DEM a aposta será em administrações de excelência na capital e em Feira para
turbinar o seu acarajé com uma pitada de pimenta de um novo desgaste de Wagner
numa possível rasteira dos servidores públicos estaduais, maiores cabos
eleitorais da vitória de ACM Neto.
A cocada de Wagner
Da panela
do carlismo, propalada por Wagner em outras eleições, sobrou ainda muito
tempero. E ao que parece, outros ingredientes podem engrossar o caldo da
oposição. É o caso da aproximação do DEM com o PMDB de Geddel Vieira Lima. A
pergunta aí é quem estará mais forte até lá. Por enquanto, foi Wagner quem
adoçou a vitória de Neto ao atendedr o pedido do prefeito eleito para que o
governador fosse o interlocutor dos interesses da cidade na esfera federal. Wagner
serviu uma boa cocada de sobremesa no recente encontro entre os dois com a
ideia da criação de uma agenda propositiva de trabalho para tirar Salvador do
buraco.
Na
medição de forças, os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), colocam o
DEM e o PMDB em desvantagem. No comparativo das eleições de 2008 e 2012, o
Democratas (ex-PFL), viu o seu tamanho minguar a 9 prefeituras e o time de
Geddel desfinhou de 115 para 44 cidades em que o partido vai comandar a
administração municipal em 2013. Das urnas, Wagner saiu fortalecido. É fato.
Agora, outra questão é o tamanho que a coalizão formada com o PT na cabeça da
chapa vai se sustentar exatamente no cenário em que o governador não será o
nome da majoritária. Correntes dos partidos aliados da base governista jogam as
fichas nos secretários Rui Costa e José Sérgio Gabrielli como fortes
concorrentes.
Mas no
campo da disputa eleitoral, quem tem o voto se apresenta como um astuto jogador
de muita ginga e que com a capacidade de colocar nas urnas um golpe certeiro
para desandar qualquer vatapá. Sairá vencedor quem tiver mais farinha no saco
para engrossar o angu e conquistar o eleitor com uma convincente estratégia. As
cartas estão na mesa, mas é o cidadão baiano quem tem o tempero e os
ingredientes para servir um prato saboroso ou indigesto. Das ruas e da vontade
do povo vai retumbar o real desenho da política estadual baiana de 2014.
Parabéns ao Governador Wagner pela sua atitudes democrática.
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