quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Política com vatapá e capoeira na Bahia



Ginga, jogo de cintura, manha e concentração na política baiana têm a mesma pegada que a tradicional capoeira, seja de angola ou regional. Fato é que nessa mistura as últimas eleições municipais na Bahia revelam um cardápio de sabores tradicionais e de muita disputa. Assim, o recado das urnas coloca o eleitor como um exímio jogador de capoeira e de paladar apurado na hora de servir o vatapá, quitute oriundo da cultura africana. Interpretar quem ganhou ou perdeu, vai depender do golpe de vista ou da posição do capoeirista. Os números dizem muita coisa. E o que se pode especular, por enquanto, é que a hegemonia do PT ou o renascimento carlista serão os temas dominantes até 2014.


Não é à toa  que muitos analistas políticos comentam que os resultados de Salvador e Feira de Santana devem render muito pano pra manga até a próxima corrida eleitoral. No tabuleiro bem estruturado das forças políticas o que se desenha é um confronto acirrado entre governo e oposição, ou seja, a inevitável polarização entre PT e DEM.

De um lado, o governador Jaques Wagner vai defender a tese de conquista da maioria das prefeituras, ao todo foram 327 cidades entre PT e base aliada. Somem-se o alinhamento com o projeto da presidente Dilma Rousseff e a nova Bahia de projetos estruturantes como a ferrovia Oeste-Leste e o Porto Sul, em Ilhéus. Na cozinha do DEM a aposta será em administrações de excelência na capital e em Feira para turbinar o seu acarajé com uma pitada de pimenta de um novo desgaste de Wagner numa possível rasteira dos servidores públicos estaduais, maiores cabos eleitorais da vitória de ACM Neto.

A cocada de Wagner

Da panela do carlismo, propalada por Wagner em outras eleições, sobrou ainda muito tempero. E ao que parece, outros ingredientes podem engrossar o caldo da oposição. É o caso da aproximação do DEM com o PMDB de Geddel Vieira Lima. A pergunta aí é quem estará mais forte até lá. Por enquanto, foi Wagner quem adoçou a vitória de Neto ao atendedr o pedido do prefeito eleito para que o governador fosse o interlocutor dos interesses da cidade na esfera federal. Wagner serviu uma boa cocada de sobremesa no recente encontro entre os dois com a ideia da criação de uma agenda propositiva de trabalho para tirar Salvador do buraco.

Na medição de forças, os números do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), colocam o DEM e o PMDB em desvantagem. No comparativo das eleições de 2008 e 2012, o Democratas (ex-PFL), viu o seu tamanho minguar a 9 prefeituras e o time de Geddel desfinhou de 115 para 44 cidades em que o partido vai comandar a administração municipal em 2013. Das urnas, Wagner saiu fortalecido. É fato. Agora, outra questão é o tamanho que a coalizão formada com o PT na cabeça da chapa vai se sustentar exatamente no cenário em que o governador não será o nome da majoritária. Correntes dos partidos aliados da base governista jogam as fichas nos secretários Rui Costa e José Sérgio Gabrielli como fortes concorrentes.

Mas no campo da disputa eleitoral, quem tem o voto se apresenta como um astuto jogador de muita ginga e que com a capacidade de colocar nas urnas um golpe certeiro para desandar qualquer vatapá. Sairá vencedor quem tiver mais farinha no saco para engrossar o angu e conquistar o eleitor com uma convincente estratégia. As cartas estão na mesa, mas é o cidadão baiano quem tem o tempero e os ingredientes para servir um prato saboroso ou indigesto. Das ruas e da vontade do povo vai retumbar o real desenho da política estadual baiana de 2014.

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